segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Filha
No meu caso, tenho em mente que a tal ideia e prática não são saudáveis. Eu próprio, enquanto tive meu pai vivo jamais tive dele qualquer proximidade. O que me parece bastante comum por aí. E péssimo para a formação de personalidades. Agora, por estar separado, tenho que me contentar em ver meu menino, de 9 anos, apenas 1 dia por semana, ou menos. Não acho que seja o ideal. Penso que paternidade responsável deveria se sobrepôr a desejos egoístas dos cônjuges quando pensam na separação. Sei que tinha e tenho forte ascendência sobre ele. Ensinei-o a escrever, a desenhar no computador, a montar brinquedos, a gostar de ciência e matemática. Cozinhava pra ele e mostrava que homens também fazem serviço de casa. E queria muito, mas muito mesmo, ter continuado a ensinar sobre como é possível amar-se integralmente, incondicionalmente e eternamente a mulher que se tem como companheira.
Não, não sou perfeito, como o texto pode indicar. Ao contrário, tenho inúmeros defeitos. O principal, não ter a capacidade de corrigir o rumo da embarcação quando nitidamente ela vai encontrar o iceberg. E pior, não aceitar ajuda de quem a oferece até insistentemente (a esposa e a terapeuta).
Bem, apesar de ser outro o homem com quem meu filho tem contato diário agora, ainda sou eu a sua referência. É comigo que ele quer ir ao estádio ver o nosso time (o Santos; sempre achei que filhos que não torcem pelo mesmo time do pai é porque não tem deles a atenção mínima necessária). É comigo que ele divide as pequenas e grandes descobertas da sua jovem vida. E me deixa um pouco orgulhoso e muito triste quando reclama por ter que ir embora no domingo à noite.
Amo meu filho e descobri que a paternidade tem algo de muito especial, qualquer que seja o sexo da criança. Sobretudo está ali um pequeno ser humano. A humanidade está muito acima das idiossincrasias de gênero.
Mas que sinto uma pontinha de frustração cada vez que vejo uma garotinha sapeca, com seus vestidinhos e fitinhas no cabelo, sinto sim.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Futuro sobre rodas
Recentemente, fez-se aqui em São Paulo um desafio entre as diversas formas de transporte em que se quis saber que tempo cada uma demoraria para fazer um certo percurso. Conforme o Último Segundo- IG, "todos sairam da Praça Gal Gentil Falcão, no Brooklin, às 18h, mas apenas o ciclista chegou à Prefeitura, no centro da cidade, às 18h22. Após o ciclista, chegaram um motociclista, um bike courrier (ciclista de entregas rápidas), um helicóptero, um ciclista experiente, um "ciclista iniciante por vias alternativas" e um motoboy. O homem que foi correndo chegou quase quinze minutos antes do carro, que demorou 1h22m".
Mais jovem, até quis ter carros, e tive. Mas não combinava com meu ideal de sociedade. Hoje não tenho carro e minha habilitação já perdeu a validade há algum tempo. Com os números apresentados no desafio, acho que não ganharia grande coisa se tivesse um automóvel.
Acharia tão mais agradável poder andar pelas ruas sem ter que competir com essa infinidade de veículos. No entanto há lugares em que pedestres não têm como transitar sem correr algum risco de acidente. Vias expressas são um terror, muitas vezes exigindo que se ande várias dezenas de metros para se transpor uma distância que em linha reta seria de poucos metros. Cria-se também o problema da impermeabilização do solo pelo asfaltamento. Aqui em São Paulo, qualquer cuspida de São Pedro provoca alagamentos por toda a parte. E, claro, trânsito ainda mais pavoroso.
Nem vou falar muito do carro como sonho de consumo, como símbolo de status. Tenho expectativa de que os seres humanos do futuro possam se apegar a valores mais significativos. Se a idéia é conseguir reconhecimento de todos, que ao menos seja por algo que valha para todos.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Os homens são mesmo frios e insensíveis como parecem ser?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ode às balzacas
domingo, 18 de outubro de 2009
Dying young
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Ratificação
Pus-me a pensar na vida, no passado recente e no futuro imprevisível. Não posso dizer que preferiria estar no pesadelo, mas ter gasto tempo fazendo a comparação dá mostra de que as coisas não vão muito bem.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Visão
domingo, 11 de outubro de 2009
A casa do sol nascente
Novidade visual no VocêTubo.
http://www.youtube.com/watch?v=C86oH5RwyJg
Nobel da Paz
IP florido
sábado, 10 de outubro de 2009
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sábado, 3 de outubro de 2009
Falha nossa
Obrigado
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Entrevista do Tuta, Jovem Pan
domingo, 13 de setembro de 2009
RRRRRRRRRRRRubiiiiiiinho!!!

domingo, 6 de setembro de 2009
Você descobre que está velho quando...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Outro fragmento
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
What a wonderful world
Escrevi no último texto sobre um assunto que significou muito para mim e para muitos amigos. Mas a grande pergunta é: o que sobrou de tudo aquilo? Globalização, crise mundial, mercado, aquecimento global, terrorismo, novas ameaças nucleares, países emergentes, religiões; dificilmente a pauta de algum noticiário não versará sobre pelo menos um destes itens ou suas derivações. E qual a importância de se estar informado sobre tais coisas?
Informação é poder; seria a resposta pronta mais óbvia. Mas como toda resposta pronta, não é completa. Muito se fala que as novas ferramentas tecnológicas como a Internet provocou uma avalanche de informações e que não necessariamente as pessoas estão melhor informadas por conta disso. Pode ser difícil separar o que realmente importa e ainda ter senso crítico para se entender informação manipulada, omissões propositais, jogo político e até mesmo boa intenção equivocada.
Penso eu, contudo, que o excesso de informação é melhor do que a falta. Lembro que no meu tempo de ensino básico, entre 72 e 79, havia uma matéria chamada Educação Moral e Cívica, onde nos ensinavam os "valores" da República, como a Bandeira, o Brasão, o Hino Nacional, enquanto pessoas eram mortas simplesmente porque desejavam a liberdade de escolha. E nós crianças e jovenzinhos não fazíamos a menor ideia do que acontecia. O máximo que nos permitiam eram cartazes com várias fotos de "terroristas" estampadas nas paredes de prédios públicos. No mais, era o Amaral Neto e o Jornal Nacional mostrando as grandes obras, como a Transamazônica, as usinas nucleares de Angra, Itaipu e outros orgulhos dos militares. Era a época do "Brasil, ame-o ou deixe-o", como víamos na TV (em preto e branco, por sinal).
Com a abertura política - lenta e gradual, como se dizia na época - começamos a ter um pouco mais da verdade.
Indignação, revolta, ódio por aquela gente verde-oliva e seus patrões capitalistas, foram os meus melhores sentimentos diante daquelas verdades. Sentimentos mobilizadores; e aí está uma grande diferença para as gerações atuais e o "excesso" de informação: não há esse grande salto entre a treva e a luz que permita o aparecimento de sentimentos como aqueles. Banalização? Talvez. Perigo de apatia e alienação? Não sei. Há sinais preocupantes, sem dúvida. Parece que o valor da vida diminuiu muito. Coisa não natural do ser humano. Qualquer indivíduo quer viver; por muito tempo e com o máximo de felicidade. O que perdeu valor, acho, foi a vida do "outro'. Existe até uma palavra bonitinha para definir este "outro": alteridade. Fui buscar num dos mentores de minha militância, Frei Beto, uma definição para esta palavra:
"É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem" (http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=7063).
Emblemático este outro na cabeça das pessoas no mundo atual. Mais do que a compreensão intelectual, faz-se urgente sua compreensão sentimental. Falo de algo muito maior do que a mobilização conseguida com campanhas do tipo "Criança Esperança", "Teleton" e outras congêneres. Este outro é aquele a quem Jesus disse que deveríamos amar tanto quanto a nós mesmos. Cabe aqui também relembrar ou até mesmo esclarecer o significado de compaixão. E aqui vão as palavras de um outro grande pensador cristão, Leonardo Boff:
"Muitos estranharam que tivesse escrito que "sem compaixão (no sentido budista) não se combate a fome". Por que "no sentido budista"? Sim, porque compaixão, no sentido comum, possui uma conotação despectiva: é ter somente peninha, sentimento que rebaixa o outro, pois nele vê apenas a fome de pão e não também a fome de beleza. Poderíamos entender a com-paixão no sentido do cristianismo originário, sentido altamente positivo, que é ter miseri-cór-dia, vale dizer, um coração (cor) capaz de sentir os míseros e sair de si para socorrê-los. Atitude que a própria palavra com-paixão sugere: ter paixão com o outro, sofrer com ele, alegrar-se com ele, andar o caminho com ele. Mas essa acepção não vingou. Predominou aquela moralista e menor de quem olha de cima para baixo e descarrega uma esmola na mão do sofredor (http://www.leonardoboff.com)."
Embora ache complexo incutir essa atitude compassional no seio da sociedade, não sou pessimista. É bem verdade que a publicidade comercial quase que exclusivamente promove o individualismo, a valorização do “eu” acima de tudo. Afinal de contas, é “eu” quem tem o cartão de crédito. Também não me parece que a maioria das famílias promova tais valores internamente. Citei também dois conhecidos nomes cristãos, fomentadores desses ideais de sociedade, o que não quer dizer que as igrejas sejam promotoras dessa valorização do outro. Pelo contrário; muitas denominações ditas cristãs se fazem notar pelo oferecimento de bens ao indivíduo: curas milagrosas e promessas de melhoria de vida que não sendo coisas ruins, afastam-se da mensagem cristã integral.
O que me faz otimista é a crença no próprio ser humano, cuja bondade nasce feito a flor no pântano. Não em todos; não em muitos. Mas um pouco na maioria e muito em alguns poucos. Suficiente, penso, para não nos destruirmos e nem ao planeta. Cria-se uma consciência ecológica que no fundo será exatamente essa compaixão levada a extremo.
Desenvolvimento sustentado e inclusão social são palavras de ordem. Fim de preconceitos, valorização e aceitação das diferenças já não parecem delírios de idealistas. Bem verdade que nações ainda padecem sob ditaduras, morte e opressão são produzidas em nome de deuses e fome e doenças ainda são desafios gigantes. Mas penso que caminhamos, ainda que lentamente, no sentido de se resolverem estas pendências. Sentido para o qual acredito e desejo que se dirija o tal poder da informação.

