segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A dança das formigas

Hoje percebo - são necessários ritos para vir ao mundo, passar pelas portas do nascimento, passar pela infância, da puberdade à idade madura. Cada passagem exige seus rituais de iniciação, abrir caminhos, conjurar o medo e depositar-nos na outra margem com plenitude e alegria, com dor quando necessário, mas com grandeza.

Cada hora - a da separação, do reencontro, da morte e do nascimento, deve ser vivida inteira. Grávida de sentido. Pois cada momento se marcado de existência faz com que o cotidiano em vez de desperdiçado sob o véu azul [do céu] e logo rasgado pelas ilusões desfeitas, será vivido em mais modestas cores, mas com toda a grandeza da simplicidade. Cheio de grave e único sentido que cada momento nos coloca. Então, só então não haverá mais profano.

Pois eis que tudo é sagrado. Com todo cuidado, meu amor...

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Tucandeira, a dança das formigas - é de longe, entre os rituais indígenas de iniciação um dos que mais se destaca da tribo Sateré-Mawé. Trata-se de uma cerimônia ligada à iniciação masculina: quem consegue superá-la pode ser admitido na comunidade dos adultos. A dança rítmica começa com os cantos e vai até o momento em que se tem certeza absoluta de que o candidato cumpriu a prova, demonstrando toda sua coragem.




Reproduzido do blog Colorindo os Modos, da minha grande amiga Vã

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O que poderia acontecer de diferente, hoje?

Fico surpreso por se aspirar à eternidade quando tantos sequer dão conta do infinitésimo que vivem. Mais tempo de vida é mais tempo para se perder crenças (ou ilusões, se prefere). E sabores; principalmente aqueles que só se pode imaginar; que nunca, nunca mesmo, se vão tornar reais.
O conhecimento é a pior das torturas. Sobretudo reconhecer que a consciência é um câncer da vida, uma anomalia. Daí que toda poesia e toda arte, toda ideologia e toda religião não passam de paliativos. Hedonistas até podem abrir mão destes remédios. Mas o prazer não é bem universal - longe disso - , nem sustentável, como se percebe.
Política e ciência são produções intelectuais menores, mas não criam ou repercutem ilusões. Mantém a vida extra-biologicamente. E nesse sentido criam bases para as grandes utopias. Servem bem também àqueles para quem ter equipamentos de alta tecnologia e luxos industrializados é o que vale a vida.
Querer dividir com alguém especial essa estupefação que é o viver é apenas a maior e mais dolorosa das ilusões.







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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011