quinta-feira, 17 de março de 2011

A bolha

Era uma bolha. De sabão. Tensão superficial incomum. Era um dedo. Comum. Um dedo como outro qualquer. Que tentava estourar. A bolha. Colorida. Enorme pelo que tinha de desconhecido. Pelas promessas. Pinhata.
Está ainda inteira. Só que sem cor. Talvez até menos esférica. Menor. Bem menor. Esquiva igual. O dedo. Um dia ainda acerta o ângulo de incidência. Razão de ser de todo dedo que se preze.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Reflexões de um ateu quando está à toa

Perdoem-me as amigas Veronika, Michele e Natália, (e outros amigos que professem alguma crença). Mas sei que as três respeitam a liberdade de pensamento. E que pensam; e muito bem, sobretudo. Gostaria antes de deixar claro que meu problema não é exatamente com a existência de Deus, mas com as diversas versões de Deus de tantas religíões e com a fragilidade argumentativa. Outro dia, falava com um pastor que antes de tentar convencer os descrentes, os religiosos deveriam tentar chegar a um consenso entre si. Bobagem, claro. A menos que as tecnologias de informação globais provoquem num futuro distante alguma equalização, como de resto pode acontecer com diversos pontos culturais, como língua, moda e organização social. Na política, os recentes levantes populares contra ditaduras antigas, na África e na Ásia, já parecem apontar para a disseminação de modelos que aparentem ser mais aperfeiçoados; no caso, o democrático.
Pois, então, não tenho necessidade de afirmar descrença em Deus. O "ateu" é só para facilitar as coisas. Apenas uso a Lex Parsimoniae: "entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem" (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade)*. Ocorre frequentemente entre os religiosos justificarem a existência de Deus pela complexidade das coisas e sobretudo das coisas vivas. Concordo que sejam assombrosos os funcionamentos, que ainda não os conhecemos de todo, desde estruturas atômicas e seus zumbis quânticos, passando pela infinidade de massa e energia em movimento espaço adentro e chegando ao abismal desenvolvimento do cérebro humano. Só que dar a Deus o crédito para a criação disso tudo significa acrescentar complexidade de ingredientes não estimável a essa já farta e suculenta sopa cósmica.
Há indícios de vida nesse planeta em data tão longíqua quanto 3,6 bilhões de anos. Tempo absurdamente extenso para que o acaso produza suas modificações nas estruturas vivas, a fazer algumas sucumbirem enquanto outras se fortalecem no sentido de postergarem sua permanência como espécie. Repito, não é desacreditar de uma entidade criadora, é tão somente aceitar as explicações mais simples e que estejam em consonância com as observações.
Também gostaria de acreditar em um Paraíso post mortem, onde a felicidade fosse possível e eterna. Eu já me contentaria com algumas horas. E nem precisaria do Paraíso. Na Brasilândia ou no Campo Limpo já estaria de bom tamanho. Mas as observações mostram apenas corpos que se decompõem; há 2 ou 3 milhões de anos, se contarmos apenas os humanóides. Essa é a imagem que eu tenho da felicidade: longa e indolor decomposição do corpo. Depois a eterna viagem de nossas partículas, para outras vidas, outras galáxias ou universos inteiros.


*citação em latim é muito pedante

terça-feira, 8 de março de 2011

Às porta-bandeiras de lutas!

Deviantart

Tem algo em que esse blog é definitivo: em sua admiração pelo feminino desse mundo; à mulher que deu à luz o homem arrogante, dominador, belicista, destruidor de belezas, mas que o está recriando em moldes mais apreciáveis, carinhosa e obstinadamente.
Parabéns às mulheres que estão a nos ensinar o verdadeiro significado da palavra luta. E por nos mostrar, aos homens, que o nosso verdadeiro lugar é ao lado.
Num país que soube eleger uma mulher tão valorosa ao seu posto mais importante, esse dia 8 é ainda mais especial.


Um grande beijo a todas. Particularmente às queridas seguidoras desse blog, sempre tão amáveis em seus comentários.