quinta-feira, 17 de março de 2011

A bolha

Era uma bolha. De sabão. Tensão superficial incomum. Era um dedo. Comum. Um dedo como outro qualquer. Que tentava estourar. A bolha. Colorida. Enorme pelo que tinha de desconhecido. Pelas promessas. Pinhata.
Está ainda inteira. Só que sem cor. Talvez até menos esférica. Menor. Bem menor. Esquiva igual. O dedo. Um dia ainda acerta o ângulo de incidência. Razão de ser de todo dedo que se preze.

2 comentários :

Unknown disse...

Já não bastasse a precariedade da própria existência de bolha, sempre há a contundência de um dedo a precipitar seu desfazimento :-(

Belíssimo texto. Um primor de concisão. Enxuto e, mesmo assim, capaz de gerar bolhas, esse encanto transparente.

z i r i s disse...

Nossa, amei esse! Mesmo e muito, mas como sempre Roberta diz tudo e mais um pouco, que diria eu agora a não ser que amei?

É preciso realizar desejos com as pontas do dedos, sonhos presos dentro de bolhas...

Abraço