segunda-feira, 21 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

RRRRRRRRRRRRubiiiiiiinho!!!

Sempre se comenta como impensável um país como o Brasil ter tantos nomes importantes na Fórmula 1, com 8 títulos mundiais, enquanto que a nação do automóvel, os EUA, nunca tenha tido um nome de peso; embora, por conta do orgulho característico, eles prefiram alimentar competições bobas, dos autoramas gigantes de circuitos ovais, como Indy e Nazcar.
Mais impensável ainda é um menino de nove anos ser influenciado por dois tios caipiras que mal tinham começado a capturar os sinais da civilização eletrônica, na primeira TV comprada tão logo chegou ali a eletricidade. Era 1972, e a pequena Ribeirão do Sul, no interior de São Paulo, principiava a perder sua inocência sertaneja. Eu já morava aqui na Grande São Paulo, mas naquelas férias de inverno comecei a acompanhar junto daqueles dois malucos, gêmeos nada parecidos, o que seria o primeiro campeão mundial do Brasil, Emerson Fitipaldi. Fui pé quente, não? Aí veio o segundo do Fiti em 74, depois os três do Piquet e mais três do Senna.
Quando aconteceram os terríveis e fatais acidentes de maio de 94, fiquei pelo menos uns três anos sem querer torcer novamente. E, ainda por cima, era a fase Schumacher e não teria mesmo muita graça torcer. Esta fase, aliás, marcou a valorização do carro em relação ao piloto. Sem um bom equipamento e uma boa equipe nenhum gênio se daria bem desde então.
Mas ninguém mais sofreu com o alemão do que o nosso Rubinho. Herdeiro das expectativas de milhões de órfãos do Senna, sofreu com a óbvia preferência da Ferrari pelo Schummy. Acabou virando alvo de chacotas de todos aqueles que não entendem que alguém com o bom caráter que ele tem, dificilmente consegue se dar bem num meio onde certamente prevalecem o murro na mesa, os conchavos e o jogo de interesses em que patrocinadores poderosos dão a última palavra. Por causa dessa personalidade, sempre me identifiquei com o Rubens.
Pode ser que ele não seja campeão neste ano, a diferença para o Button é grande, mas cada corrida ganha é também a vitória de todos aqueles que gostariam de viver num mundo onde todas as regras fossem bem claras e, principalmente, justas.
E vale também aquela frase: Rubens é brasileiro e não desiste nunca.

Tchã, tchã, tchã. Tchã, tchã, tchã.

domingo, 6 de setembro de 2009

Você descobre que está velho quando...

Quando vê que o Jornal Nacional está completando 40 anos e se lembra que assistiu à primeira edição.
Pois é! Eu tinha só seis anos, mas me lembro da cabeleira longa do Cid Moreira e da vinheta que pouco mudou desde então.
Estas lembranças, contudo, me fizeram lembrar de outras coisas daquele passado. Das que desapareceram, das que mudaram e das que permaneceram.
Da política, afora o regime de exceção, já exaustivamente descrito neste blog, lembro ainda que não elegíamos também governadores e prefeitos das capitais. Tínhamos apenas dois partidos legais: Arena e MDB. A primeira, o partido de fachada dos militares e o segundo, refúgio das lideranças oposicionistas que conseguiram não ser cassadas, exiladas ou mesmo mortas. Propaganda eleitoral era tão somente apresentação muito rápida de fotos acompanhadas dos nomes dos candidatos. Fora dos meios de comunicação as campanhas eram centradas nas distribuição de santinhos e principalmente pela farta distribuição de favores aos eleitores, como pares de sapatos que eram dados um pé antes da eleição e outro depois caso o candidato fosse eleito. Também era comum o oferecimento de dentaduras postiças e muitos outros tipos de brindes, práticas hoje felizmente proibidas.
Saindo da política, tínhamos os entusiasmantes festivais de música de onde saíram ou se consagraram muitos de nossos principais compositores e intérpretes, como Chico Buarque, Elis Regina, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, para ficar em poucos nomes.
Sílvio Santos, antes de ter sua própria emissora, fazia seu eterno programa pela Globo, aos domingos. Chacrinha, que eu particularmente não gostava, se muito não me engano, sempre apresentou seu programa aos sábados (garotinho, eu ainda não conseguia entender o que chamava tanto a atenção dos marmanjos nas chacretes). Ney Matogrosso e os Secos e Molhados eram uma ousadia inominável para uma TV censurada e para uma sociedade ainda puritana. Ousadas também eram as novelas das dez da noite, tanto em dramaturgia quanto em cenas como a de Sônia Braga mostrando suas belas coxas e quase algo mais subindo num telhado para apanhar uma pipa, em Gabriela. E havia Ziembinsky, Paulo Gracindo e Lima Duarte em atuações jamais alcançadas posteriormente (e lembrem-se que eu sequer tinha idade para avaliar toda a grandeza daquilo). E ainda haviam os “Casos Especiais”, textos consagrados da literatura e do teatro em episódios únicos com resultados memoráveis como o Médico e o Monstro em que se destacou o imortal Sérgio Cardoso no papel principal.
Uma curiosidade da época é que pela pouca quantidade de aparelhos de TV, era comum que famílias se reunissem em alguma casa que gozasse do privilégio de ter o aparelho (em preto e branco e a válvula). Na verdade, as visitas sociais já eram comuns até aqueles tempos e a disseminação posterior dos televisores acabou por produzir um isolamento das famílias. Também não havia a preocupação com a violência, de forma que era possível andar-se tranquilamente à noite, mesmo em lugares onde não havia qualquer sinal de polícia.
Era um tempo em que se podia comprar a crédito na mercearia da esquina. Mas nada de burocracia; o dono entregava uma cadernetinha ao cliente onde eram anotadas as compras do mês e que seriam pagas de uma vez num dia determinado. Pão e leite eram deixados diariamente na porta do freguês, que ao acordar, poderia apanhá-los sem que jamais acontecesse de lhe subtraírem os alimentos; o leite vinha em garrafinhas de vidro retornáveis (e nem se falava ainda em desequilíbrio ecológico).
Telefonia era estatal e as linhas custavam caro. Em compensação, as fichas eram baratinhas e podiam ser compradas em unidades. Mas era preciso auxílio de telefonista para ligações interurbanas. Já para se ouvir música, só pelas rádios AM (FM ainda demoraria um tantinho para chegar) ou com os discos de vinil, que se podiam ouvir com as vitrolas. Curioso dos discos é que os artistas freqüentemente os lançavam com uma única música, que se repetiam dos dois lados. Tinha também as fitas k7 que continuaram úteis até recentemente.
A moda dos anos 70 e que era uma coisa tenebrosa, tanto a masculina como a feminina. Eram aquelas pantalonas ridículas, maquiagem carregadíssima e despropositada. E os cabelos então? Todo aquele volume e colorido artificialíssimo. Deus nos livre! Pior, só a moda das cortes modernistas com aquelas perucas e o pó-de-arroz.
Nas ruas, dominavam os fuscas. A gasolina era muito barata e os mais abonados tinham carrões que faziam vários litros por quilômetro. E era possível viajar-se de trem a longas distâncias. Uma delícia, por sinal. Apesar de algo decadentes os trens contavam com vagão restaurante, além de quê, garçons transitavam pelos vagões oferecendo alimentos e bebidas. Para mim era especialmente divertido sentar num vagão mais à rabeira para poder ver pela janela o resto da composição serpenteando por entre os morros que ladeavam a Sorocabana.
Para quem gostava de futebol era a fase de ouro em que ganhamos o tri mundial e nossos craques jogavam todos aqui. Tubo bem que não podíamos ver as partidas pela TV, mas era muito mais emocionante poder ouvi-las pelo radinho a pilha.
Cada uma destas características setentistas daria um livro, mas espero poder ter aguçado com esse pouco tanto a saudade dos mais velhos quanto a curiosidade dos mais novos.
Também não sei se conseguiria viver num mundo sem PC, internet, mp3, metrô, microondas, mas também tenho saudade da segurança, do mundo sem Aids, do emprego pleno, do Pelé, e da crença idiota de que a felicidade era uma coisa possível.