domingo, 13 de setembro de 2009

RRRRRRRRRRRRubiiiiiiinho!!!

Sempre se comenta como impensável um país como o Brasil ter tantos nomes importantes na Fórmula 1, com 8 títulos mundiais, enquanto que a nação do automóvel, os EUA, nunca tenha tido um nome de peso; embora, por conta do orgulho característico, eles prefiram alimentar competições bobas, dos autoramas gigantes de circuitos ovais, como Indy e Nazcar.
Mais impensável ainda é um menino de nove anos ser influenciado por dois tios caipiras que mal tinham começado a capturar os sinais da civilização eletrônica, na primeira TV comprada tão logo chegou ali a eletricidade. Era 1972, e a pequena Ribeirão do Sul, no interior de São Paulo, principiava a perder sua inocência sertaneja. Eu já morava aqui na Grande São Paulo, mas naquelas férias de inverno comecei a acompanhar junto daqueles dois malucos, gêmeos nada parecidos, o que seria o primeiro campeão mundial do Brasil, Emerson Fitipaldi. Fui pé quente, não? Aí veio o segundo do Fiti em 74, depois os três do Piquet e mais três do Senna.
Quando aconteceram os terríveis e fatais acidentes de maio de 94, fiquei pelo menos uns três anos sem querer torcer novamente. E, ainda por cima, era a fase Schumacher e não teria mesmo muita graça torcer. Esta fase, aliás, marcou a valorização do carro em relação ao piloto. Sem um bom equipamento e uma boa equipe nenhum gênio se daria bem desde então.
Mas ninguém mais sofreu com o alemão do que o nosso Rubinho. Herdeiro das expectativas de milhões de órfãos do Senna, sofreu com a óbvia preferência da Ferrari pelo Schummy. Acabou virando alvo de chacotas de todos aqueles que não entendem que alguém com o bom caráter que ele tem, dificilmente consegue se dar bem num meio onde certamente prevalecem o murro na mesa, os conchavos e o jogo de interesses em que patrocinadores poderosos dão a última palavra. Por causa dessa personalidade, sempre me identifiquei com o Rubens.
Pode ser que ele não seja campeão neste ano, a diferença para o Button é grande, mas cada corrida ganha é também a vitória de todos aqueles que gostariam de viver num mundo onde todas as regras fossem bem claras e, principalmente, justas.
E vale também aquela frase: Rubens é brasileiro e não desiste nunca.

Tchã, tchã, tchã. Tchã, tchã, tchã.

4 comentários :

sblogonoff café disse...

Oi!
Entrei por uma janela aberta lá no blog da Carla.
E lendo seu post aqui, abrem-se outras janelas na minah cabeça.
Um povo está sempre construindo seus heróis, né?! Sempre projetando neles forças que ou não possuem ou tem medo de desenvolver.
E talvez, não haja fardo maior que ser um herói.Não tem aquilo do homem aranha falando que grandes poderes requerem grandes responsabilidades?!!
A gente percebe quedas e ascenções de mitos, como o Michael, a Xuxa, de artistas que vivem na reabilitação,melhorando ou não.E os outros seguem à margem, como personagens secundários de novelas.
O Rubinho é a representação de um cara comum e eu penso que mesmo com toda a estabilidade proporcionada pela F1, ele deve se cansar de tanto explicar tantas derrotas, tantos carros quebrados, tantas expectativas frustradas.
Faz tempo que não torço, com essa conversa do Briatore agora, fica até difícil a gente achar que vale mesmo a pena torcer. (Lembra a Copa da França?!). Mas o Rubinho não joga a toalha e além disso permanece íntegro.Nisso ele é um vencedor sim. Concordo com você. Ele estava essa noite no JN, antes do Jô, e em nenhum momento ele sujou a imagem da fórmula um ou de ninguém lá de dentro, mesmo com as perguntas formuladas pra isso.
Ás vezes dá mesmo vontade da gente desistir de nossa meta, de nossos planos, dá vontade de jogar a toalha e culpar o café ruim que tomamos pela manhã, mas espero que não desistamos.
O salário da persistência é a vitória, mesmo que imprópria!
Né?!!

Sopro de Eves!

Alvaro Vianna disse...

Pensei que ninguém mais se solidarizaria com minha opinião sobre o Rubinho, embora acredite que se acontecer de ele ganhar o título, as coisas vão mudar muito. No Brasil, só os vencedores encontram espaço nos corações e mentes dos torcedores. Eu que tenho na seleção de 82 a minha referência de bom futebol, mesmo ela não tendo ganho a copa, tento ver o trabalho e o caráter. E poderia citar a Seleção feminina de vôlei ou a de futebol feminino.
Obrigado a você do sblogonoff!

Carla P.S. disse...

Fantástico.
Isso que eu achei da tua associação com a fórmula-1 e a personalidade do Rubinho.
Me identifico também com a psiquê do segundo colocado, sempre estamos competindo por algo mais justo, grande e doloroso.
Também gosto dele.
Um café, animado.

Alvaro Vianna disse...

Costumo ler, Carla, o espaço de comentários dos sites de notícia. Quando o assunto é Fórmula 1, sobram palavras pejorativas contra o Rubinho. Espero que esteja chegando a nossa vez de colocar as coisas no lugar certo.
Viu? mais gente descobriu que eu adoro de café.