Estava aqui pensando no protagonismo que o Brasil passou a exercer mundialmente, ao menos no campo político, e da dependência de uma personalidade como a do Lula para que um país consiga esse status.
Sempre tive como ideal político que governos e debates se dessem exclusivamente sobre ideias. Tinha comigo que nas eleições se deveriam comparar apenas propostas, sem que precisassem ser importantes os nomes escolhidos pelos partidos. Era modelo aquilo que se faz nos países nórdicos, ou em gigantes como o Canadá e a Austrália. Quem medianamente informado é capaz de dizer um nome de primeiro-ministro de algum deste países? Que no entanto são bons exemplos de liberdade, de distribuição de riquezas e de constância.
Mas aí me vem à mente acontecimentos de repercussão mundial como o recente COP 15, que justamente se deu num destes países-modelo. Como se comportaram os líderes destes países, que posições defendiam? Tiveram influência ou pelo menos tentaram influir nos resultados? Sabe-se que o encontro fracassou. E o fracasso é creditado principalmente a Estados Unidos e China. Protagonismo ditado exclusivamente pelo poderio econômico? Foi o que acabou acontecendo, numa análise fria dos resultados. Mas quem acompanhou os acontecimentos durante os dias em que durou o encontro viu a relevância das atuações individuais de certos líderes. Claro, o nome mais pesado foi o de Barack Obama, mas fala-se que nos bastidores a ação chinesa teria sido decisiva no sentido de se evitar um compromisso que significasse diminuição de suas expectativas de crescimento, já que sua economia é fortemente dependente de energia geradora de gases estufa.
Em situações limite como essa, cabe o modelo institucional? A instituição ONU gerenciando os interesses das instituições afiliadas? Ou, diante dos impasses fazem-se necessários líderes de personalidade forte e negociadores hábeis?
Continua...