Nossas idades hoje somam um século e uma década. Mas já somaram apenas dezoito. Tão pouca a diferença que chegará tempo em que passaremos por irmãos. Pois se entre mim e a caçula sobram apenas 17.
Parece enunciado de problema matemático. E de fato qualquer um mais atento não terá dificuldade em saber as 3 idades. Mas o resultado frio de qualquer equação não poderia definir o indefinível e sempre inacreditável amor que vem da senhora.
Sou do tempo em que se aprendia, ao menos no interior, que as pessoas adultas e principalmente familiares eram senhores e senhoras. Costume hoje abandonado em qualquer lugar. Meu filho me chama a mim e à mãe de você. Nada contra. Mas quando eu uso esse tratamento é porque em qualquer tempo que minha memória traga sempre terei percebido me envolvendo uma senhora. Mesmo quando me embalava em seu colo uma menina. Como aquela senhora de Nazareth, que ninava nas horas de choro e engolia o próprio choro nas horas de cruz. Acho que a intensidade do seu amor e do seu imenso cuidado sempre foram e até os dias de hoje coerentes com SENHORA.
Minha dívida com só aumenta. E nem um filho jamais teria mesmo como pagar. Eu só posso me reconhecer obrigado. E talvez devolver um pouco. Hoje ao menos.
Te amo, Mãe.