sábado, 30 de outubro de 2010

Debate

Acabou há pouco o debate entre os candidatos à Presidência. A meu ver, morno. Muito diferente da tônica da campanha que teve ataques intensos ao governo e à candidata Dilma, por parte da coligação que apoia o candidato Serra .
Campanhas políticas - e isso não é exclusividade brasileira - são uma coisa incivilizada. O objetivo principal é colocar o seu grupo ou partido no poder. O bem do país é secundário. O debate é importantíssimo e uma oposição ativa é fundamental para o processo democrático. Mas eu sonho em ver, algum dia, ideias e princípios no plano principal da disputa. Acho que isso poderá vir com o amadurecimento dos eleitores. Nessa eleição, particularmente, considerei que a quase invariabilidade dos índices mostrados pelas pesquisas prova que o eleitor não está se deixando influenciar tão facilmente por campanhas difamatórias. Apesar do evidente apoio de parte da grande imprensa ao candidato Serra, mostrando ostensivamente em horário nobre ou em reportagens de capa supostos escândalos envolvendo o governo e a candidata Dilma.
No pleito de agora, muito mais que factoides ou projetinhos de última hora, o que se compara são duas propostas de governo que tiveram ambas oito anos para se mostrar à nação brasileira. E a resposta do eleitorado é inequívoca. O que se quer é a continuidade do modelo atual, que longe de ser perfeito, deu mostras do que é um governo de origem nas classes mais humildes e amplamente voltado para estas classes. Mas com a inteligência de buscar soluções sem confrontos com o poder mundial, nem, tampouco, com submissão, como era comum nos governos passados. Provou, durante a grave crise econômica, que o Estado tem que ser forte, sim. Porque governos verdadeiramente democráticos governam para pessoas e não para empresas. Até se pode permitir que elas cresçam e se fortaleçam. Deve-se fazer isso. Mas estes resultados têm que atender aos interesses de toda a sociedade. Nenhum banco brasileiro quebrou durante a crise, ao contrário de gigantes americanos e europeus. Nem foi necessária a injeção maciça de dinheiro em nenhuma instituição. Prova de que ser de esquerda não quer dizer que se precise ser burro. Não dá pra revogar a Lei da Gravidade porque pobre não pode comprar paraquedas. Assim, muito do que foi feito durante o governo Lula pareceu uma adesão ao modelo capitalista internacional; quando o que se fazia e se faz é uma política econômica pragmática, mas com um bom princípio de distribuição de renda com programas como o bolsa família ou o ProUni e o aumento significativo de crédito. Além do número de empregos criados; três vezes maior que no governo anterior.
Diferença fundamental também foi o apoio às empresas públicas e o seu fortalecimento. Por mais que os tucanos tenham querido desmentir, os fatos mostram que eles são privatistas por princípio. Não à toa têm como aliados o antigo Partido Liberal, hoje DEM, representantes da direita mais retrógrada deste país. Privatizaram telefonia, eletricidade, estradas etc; e queriam, sim, privatizar a Petrobrás. Durante o governo Lula ela se transformou na quarta maior empresa do mundo (segunda na área de energia). E a descoberta do pré-sal e a sua exploração vai dar ao Brasil uma dimensão ímpar no cenário mundial, com reflexos ainda não totalmente estimados na melhoria da qualidade de vida de todo o nosso povo.
Não acredito em surpresas no domingo. A vantagem indicada pelas pesquisas é muito folgada. Comemoro desde já que após termos pela primeira vez um operário no cargo mais importante da nação, vamos ter lá uma mulher. Outra prova do avanço que este país está tendo, em termos de consciência política. A estrada é longa, e talvez nem tenha fim, mas estou confiante de que o rumo está certíssimo.