quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Máquina do tempo que se sente

Nunca se está imune. Isso é bom. Imunidade ao desejo pela vida é o mesmo que uma morte lúcida. Um cérebro preservado num pote de vidro que vê o passar do tempo sem nenhum sabor. A árvore em frente cresce; desenvolve os galhos e folhas; dá flores e frutos; perde a folhagem; seca. A paisagem seca. O sol se avermelha e cresce. Vermes gigantes passeiam lentamente. O pote cai e se quebra. Um meteorito que se choca violentamente contra o solo é a última visão. Emoção nenhuma em qualquer fase.
Eu não estava imune. Que bom. Os minutos passam com frio na barriga e leve dor no coração.



Abraço para H. G. Wells