sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O que poderia acontecer de diferente, hoje?

Fico surpreso por se aspirar à eternidade quando tantos sequer dão conta do infinitésimo que vivem. Mais tempo de vida é mais tempo para se perder crenças (ou ilusões, se prefere). E sabores; principalmente aqueles que só se pode imaginar; que nunca, nunca mesmo, se vão tornar reais.
O conhecimento é a pior das torturas. Sobretudo reconhecer que a consciência é um câncer da vida, uma anomalia. Daí que toda poesia e toda arte, toda ideologia e toda religião não passam de paliativos. Hedonistas até podem abrir mão destes remédios. Mas o prazer não é bem universal - longe disso - , nem sustentável, como se percebe.
Política e ciência são produções intelectuais menores, mas não criam ou repercutem ilusões. Mantém a vida extra-biologicamente. E nesse sentido criam bases para as grandes utopias. Servem bem também àqueles para quem ter equipamentos de alta tecnologia e luxos industrializados é o que vale a vida.
Querer dividir com alguém especial essa estupefação que é o viver é apenas a maior e mais dolorosa das ilusões.







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