"O horror não foram as chamas. O lixo dos pensamentos transformados em realidade é que era o gozo do demônio. Era a humanidade sem os filtros da educação e do condicionamento. Como já o era o Senhor dos infernos. Não um pesadelo interminável, mas um tempo em que seria preferível o pior de todos os pesadelos. Nada de estrelas caindo, mas paisagens áridas e extremamente brilhantes. Não o medo do que se esconde no escuro; ao contrário, era a obrigação de se ver tudo. E se fazer tudo. A dor nem era tanta a do corpo. Mas nos outros corpos. Nos dos inocentes que se viram sem céu. Crianças atiradas pelas janelas por seus próprios pais. Ou..."
Chega. Escrevi isso ouvindo "Black Sabbath", a faixa que tem o mesmo nome da antológica banda inglesa. Achei inocente a letra, desproporcional à impressão causada pelos graves de baixo e base, além da incrível voz do Ozzi. A evolução dos tempos trouxe também uma evolução do horror. Ou talvez da nossa capacidade de descrevê-lo. Pode ser que a absurda exposição que cada notícia tétrica alcança, exija que da próxima vez se produza algo mais pesado a fim de se conseguir o mesmo impacto. Derrubar as maiores torres do mundo seria algo impensável para terroristas de 1969, ano da gravação de Black Sabbath. Cidade de Deus, o filme, também mostra uma evolução do horror assim, concordam?
Desculpem. A sexta nem está tão black como pode parecer. Mas é muito black pensar que não vai melhorar.