Dá medo, eu sei. Mais ainda em mês de Halloween (como fomos importar folclore ianque?). Eu não tenho medo de você, apesar da tua brabeza. Mas tenho um certo pavor de mim mesmo. Pavor de não conseguir reagir à altura dos meus sonhos.
Você me conhece pouco, é verdade, embora esse pouco possa ser o que tenho de melhor. Você por sua vez transparece capacidade de luta e reação diante de adversidades. Não tenho dúvida de que é alguém que faz questão de ter as rédeas da vida nas mãos; que não perde tempo com o que não funciona.
Eu, neste momento, tenho que confessar, sou todo o oposto. Caí de costas na lona, o juiz já perdeu a conta e eu não dou sinal de que vou me levantar, ainda que nitidamente vivo. Não há muita gente mais no ginásio e até o adversário já foi embora com seu cinturão reluzente, carregado nos ombros daqueles que são amigos dos gloriosos.
Não peço mãos que me ajudem a levantar, tenho ainda meu orgulho. Quero apenas um par de olhos. Como estes teus, que parecem mais emitir luz do que receber. Quero o calorzinho balsâmico desta luz que me diminuam as dores. O resto eu conseguirei por mim mesmo. Tenho que conseguir.
Não tem tanto assim a ver (espero), mas quem vê chora. Ah se chora!