De repente me deu saudade de não ser tão intimista. É que minhas perdas pessoais associadas a escândalos envolvendo o meu partido político acabaram por minar meus interesses pelas coisas do mundo. O problema é que assim o mundo também perdeu o interesse por mim. Ou quase. Tenho merecido a atenção de gente muito especial. E uma forma de eu agradecer é relembrar um pouco uma certa sede de universo.
A imagem que me vem à cabeça para descrever a história presente é a de uma grande torneira jorrando. Só pra comparar, a Idade Média seria uma torneira pequena com apenas um fiozinho de água. Hoje tudo acontece ao mesmo tempo. As interrelações dos fatos fogem ao computável e grandes pensadores se transformam assim em meros especuladores. Ideologias e filosofias morreram. Foram substituídas por tecnologias. Como contraponto sobraram as religiões; ou não exatamente um contraponto, uma vez que se utilizam de muitas destas tecnologias para fazer proselitismo.
Alguns podem entender que o fim de formas de pensamento signifique que tudo o que se poderia pensar já foi pensado. Estaríamos vivendo uma época onde meramente se aplicam as idéias vencedoras. Outros, com os quais me alinho, podem imaginar que estamos apenas no começo de uma revolução gigantesca que alterará tudo o que entendemos por humanidade.
Acredito como bastante provável que as futuras gerações, talvez ainda dentro deste século, venham a receber enxertos tecnológicos. A Ficção Científica trouxe-nos a idéia de andróides; máquinas com partes humanas. O que prevejo, no entanto, é radicalmente diferente: humanos absorvendo máquinas. E a tal ponto que não será válida mais a distinção. Outra idéia que perpassa a Ficção Científica é a da inteligência artificial. Mas o que imagino será uma "humanização dos artifícios": cérebros humanos controlando corpos absolutamente artificiais.
Este é um cenário bem diferente do de "Matrix". Não haverá necessidade da guerra entre humanos e máquinas, porque ambos serão um só.
A imortalidade, salvo imensos desastres naturais, será finalmente alcançada. Todos os "humáquinas" estarão interligados globalmente. No entanto, a individualidade poderá ser preservada, por conta da sobrevivência do cérebro humano e conseqüentemente de seu instinto de autopreservação. Também por conta dos instintos muito provavelmente se perpetuarão as religiões e talvez até o sexo, a par da falta de "órgãos" reais. Ou talvez se opte pela praticidade do sexo puramente virtual. Isso, aliás, creio que se dará bem antes até da implantação da humaquinidade. E aí Matrix acerta: tudo o que percebemos do mundo são em última instância impulsos elétricos; criar as interfaces e os softwares será o de menos.
5 comentários :
Meu querido,
Penso numa revolução que nos levará de volta a uma era de sobrevivência. Sem água, recursos naturais e com a humanidade doente, em todos os sentidos, não vejo espaço para essa fantasiosa - no meu ponto de vista - guerra entre humanos e máquinas...
Sobre o meu post e o seu comentário, quer dizer que suas visitas eram apenas "investidas"??? Ó mundo cruel! (rs)
Beijos
A crueldade do mundo é só comigo. Minhas visitas tinham e terão sempre primeiras intenções. As segundas são inevitáveis.
Beijo
Meu Deus! Você, de fato, lê o meu blog!!! Encontrei mensagens suas em posts antigos. Muito bacana Alvaro, independente das intenções... (rs)
Ah sim, como foi que você chegou ao meu blog?
Beijos
Simone
Pelo Orkut. Procurei pelo nome feminino que mais gosto. Mais de 35, heterossexual (importante), solteira (existem?). Vieram algumas dezenas. Fui abrindo os perfis pelas fotos mais interessantes (sou visual, lembra?). E aí fui eliminando pelo "quem sou eu". Só ficou você. Por causa do blog. Ainda pensei: "tem jeitão de atriz, melhor deixar quieto". Continuo achando que tem jeitão, mas fazer o quê, fui cativado já pelo primeiro texto.
É isso aí: garimpo. Achei um diamante grandão.
Esqueci de acrescentar que tenho uma certa fixação por franjinhas, não sei porquê.
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