É uma frase do filme "Contato". Tirando-a do contexto universal em que lá aparece, para mim ela ganha um sentido especial porquanto eu tenha vivido "isolado" boa parte da vida. Nunca fui de alimentar amizades. Não porque não gostasse de gente, mas por uma imensa timidez. Hoje há a facilidade que estes meios eletrônicos permitem, mas ainda assim, comparado a quase todo mundo, ainda sou o tímido de sempre.
Mas não foi para falar de amizade que lembrei da frase. Até porque já passei da idade de mudar o meu jeito e buscar consolo existencial em ombros amigos, embora respeite muito os poucos que tenho - mais por iniciativa deles do que minhas, diga-se.
Meu ideal de vida sempre foi o afetivo, o vínculo a dois. Nesse sentido a frase deveria terminar com "...o outro" ou então entender-se "os outros" como um coletivo complementar de "os uns" solitários (sou complicado às vezes, urgh!).
Como explicar, então, eu estar só depois de ter encontrado alguém que me amou muito além do razoável, do imaginável? Qualquer tentativa de explicação será sempre imprecisa. Até porque não conheço todos os lances desta estória. Nem quero mais sabê-los. Já admiti minha total incapacidade, ao longo de doze anos, de enxergar o tesouro que a vida me dera. O que jamais vou conseguir aceitar é o momento escolhido para a cisão. Em qualquer outro, mesmo com o coração despedaçado (não em sentido literal), mesmo tendo vivido esse tempo todo só em função do sentimento dela, eu teria sido o primeiro a aplaudir e apoiar.
Mas também não é desse meu enorme fracasso que quero falar aqui. É que o que entendo da vida hoje nasceu desse episódio. E a frase título tem também outro significado: antes eu pensava uma relação a partir do que meus neurotransmissores indicavam (paixões). Hoje sei que eles nos enganam (enganaram a mim por muito tempo). Não estou levantando bandeira contra tais sentimentos. Ao contrário, acho que são o que de melhor se pode levar desta vida. E nem acho possível ensinar-se alguém a partir de nossa própria experiência, ainda que ao expormos tais vivências sempre tenhamos esse intuito didático. O que quero é justificar o que disse no post anterior sobre a minha preferência pelo duradouro, apesar do meu fracasso.
O que descobri é que é possível investir-se em alguém que mereça mesmo que esse alguém não nos leve às alturas num primeiro momento.
E ao contrário, é preciso muito cuidado com as paixões fulminantes. Não vejo como duas pessoas possam vir a formar um casal de qualidade se não tiverem código de valores semelhantes e intelectualidade compatível, tudo isso direcionado, é claro, para as responsabilidades giantescas da vida a dois.
Cansei por hoje. Continuo depois incluindo outros três fatores complicadores das relações: sexo, idiossincrasias e dinheiro (ou falta dele).
2 comentários :
Que grata surpresa encontrar um novo post seu em um espaço de três dias!
Mas meu comentário não será feito nesse post, prefiro aguardar a inclusão dos outros três fatores para escrever a respeito... (morrendo de curiosidade, inclusive, rsrs).
Beijos
Si
Isso me obriga a pensar ainda mais no que vou escrever.
Eu é que estou surpreso de merecer sua nova visita em tempo tão curto!
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