Quando fiquei grávido, confesso que até o ultrassom que descobriu o sexo do bebê - menino - alimentei a expectativa de ser pai de uma garotinha. Pela graciosidade, sim, mas acho que principalmente pra tentar me conciliar com estes seres tão fascinantes e aterradoramente misteriosos. Que maneira melhor do que fazendo uma de sua própria costela? Sei, é bobagem. Todas tiveram um pai e nem por isso os homens aprenderam mais sobre elas. Mas não seria porque pais não aprendem muito sobre filhos de qualquer sexo? Tem a manutenção da ideia e da prática de que educação (e proximidade física e emocional) são responsabilidade da mãe.
No meu caso, tenho em mente que a tal ideia e prática não são saudáveis. Eu próprio, enquanto tive meu pai vivo jamais tive dele qualquer proximidade. O que me parece bastante comum por aí. E péssimo para a formação de personalidades. Agora, por estar separado, tenho que me contentar em ver meu menino, de 9 anos, apenas 1 dia por semana, ou menos. Não acho que seja o ideal. Penso que paternidade responsável deveria se sobrepôr a desejos egoístas dos cônjuges quando pensam na separação. Sei que tinha e tenho forte ascendência sobre ele. Ensinei-o a escrever, a desenhar no computador, a montar brinquedos, a gostar de ciência e matemática. Cozinhava pra ele e mostrava que homens também fazem serviço de casa. E queria muito, mas muito mesmo, ter continuado a ensinar sobre como é possível amar-se integralmente, incondicionalmente e eternamente a mulher que se tem como companheira.
Não, não sou perfeito, como o texto pode indicar. Ao contrário, tenho inúmeros defeitos. O principal, não ter a capacidade de corrigir o rumo da embarcação quando nitidamente ela vai encontrar o iceberg. E pior, não aceitar ajuda de quem a oferece até insistentemente (a esposa e a terapeuta).
Bem, apesar de ser outro o homem com quem meu filho tem contato diário agora, ainda sou eu a sua referência. É comigo que ele quer ir ao estádio ver o nosso time (o Santos; sempre achei que filhos que não torcem pelo mesmo time do pai é porque não tem deles a atenção mínima necessária). É comigo que ele divide as pequenas e grandes descobertas da sua jovem vida. E me deixa um pouco orgulhoso e muito triste quando reclama por ter que ir embora no domingo à noite.
Amo meu filho e descobri que a paternidade tem algo de muito especial, qualquer que seja o sexo da criança. Sobretudo está ali um pequeno ser humano. A humanidade está muito acima das idiossincrasias de gênero.
Mas que sinto uma pontinha de frustração cada vez que vejo uma garotinha sapeca, com seus vestidinhos e fitinhas no cabelo, sinto sim.
5 comentários :
Olá! Tudo bem? Terei que fazer um comentário correndo pois estou no trabalho, mas gostaria de deixar consignado que gostei muito do teu texto. Me tocou bastante. Sobre a vontade de ter uma filha, quem sabe o destino ainda não te dá uma boa surpresa? Sempre há tempo..!
Aposto que teu filho seja um fofo e tanto.Beijão!
Ei!
Não conheço você. Não sei porque seu casamento acabou. O meu durou tão pouco que nem deu tempo de ter filhos.
Eu sei que amaria qualquer sexo, mas imagino um menino. Porque menina é mais complicado. Porque adoro moleques e travessuras e não gosto muito de frecuras que as meninas têm. Antes de querer mexer com leis, eu fiz magistério e observando as meninas e suas bonecas e o choro fácil, desejei meninos!! E vendo que contribuí muito mais para os cabelos brancos dos meus pais do que meus irmãos homens, desejo um menino!!!Rsrsrs!!
Mas a vida nos dá o que o que não podemos controlar.
Essa coisa de sentimentos.
Essa coisa de genética.
Essa coisa de futuro.
Essa coisa de passado.
Essa coisa de lados.
Sabe, sóp podemos controlar o presente.
Como disse o poeta, "os homens presentes, a vida presente".
Seu filho vai crescer,e voc~e não terá controle sobre isso, sobre o tempo.
Mas o tempo que passa com ele, você pode amar e demonstrar isso.
Eternizar o que a vida fragmentou.
Fazer o seu caleidoscópio.
As coisas nm sempre são como planejamos, mas algumas delas podem ser melhores do que supomos!!!
Ah...
HOje é um dia tão quente...
A propósito, eu gosto da sua sensibilidade.
Essa Michele... Essa moça aí de cima, sabe? Me poupou tempo. É que, às vezes, na verdade muitas vezes, a gente se parece (apesar dela ter dito que gosta menos de mim, quando percebe isso nos meus textos). E quase tudo do que eu quis dizer, depois de ler seu texto, ela já disse. Além, na lista de coisas que não podemos controlar eu diria a diferença de gêneros - mesmo quando achamos que podemos.
Eu também achava que seria melhor mãe de menino. Hoje, tendo a Mel, (minha filha) admito que posso ter me equivocado.
Sobre a credulidade masculina, que vc mencionou lá em casa, acredito. A diferença é que vcs não ficam batendo na mesma tecla por tanto tempo, quanto nós.
No fim das contas, tudo pode ser, apenas, uma questão de tempo.
Dar um tempo...
Esperar o tempo passar...
Dar tempo ao tempo...
Esperar o tempo firmar...
Em tempo,
Saber dos vários significados do tempo. O cronológico, o de sentido, o das sensações particulares para cada pessoa diferente.
Quando eu tiver mais tempo, volto para ler mais textos seus.
Um abraço.
ooown qe pai carinhoso :)
Ei,moço!
Deixei resposa pra você lá no café!!
Essa moça aí em cima muitas vezes é o meu espelho! Mas às vezes ela reflete coisa que eu não queria ver, aí eu gosto menos dela!Rsrsrs!!
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