domingo, 8 de agosto de 2010

Pai possível

Na verdade, não sei que importância tenho na vida do meu filho, agora que nos vemos tão menos. Sei que se orgulha de torcer para o mesmo time. E me pede massagem nas costas antes de dormir, quando fica comigo. Não gosto dessa sensação de estar sempre em dívida com ele. Mas é um menino que não reclama. Parece feliz. Resisto à tentação de acreditar tê-lo visto mais genuinamente feliz em outros tempos. Só o agora e o de agora em diante importam.
Posso dar exemplos de ética, de respeito absoluto pelo outro, de constância. Ensino matemática, história, como o ensinei antes a ler e a escrever. Incentivo à astronomia e ao futebol, claro. Jogamos xadrez e construímos brinquedos juntos - não gosto e não recomendo os comprados, com raras exceções.
E tenho a obrigação de ensinar que existe vida após a morte. Não no sentido religioso.

Gabriel - 9 anos

8 comentários :

Mulher Vã disse...

Nunca vou cansar de dizer: O Biel é um dos caras mais sortudos que conheço.

=))

Pensamento aqui é Documento disse...

Quem educa marca o corpo do outro para sempre, dizia Fátima Freire. E estas marcas tem pouco a ver com quantidade, mas com a qualidade em que são impressas.

Parabéns Pai que faz massagem, que ensina, que brinca junto, você tem marcado seu filho de um jeito bonito. Não duvide disto!

v. paulics disse...

que menino lindo. mistura misturada de pai e mãe. e tenho certeza que cada encontro é pleno e intenso. isto deve valer imensidões (e inscrições) na memória afetiva dos dois. bj. v.

Cris . disse...

É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.

Acredito que você seja um pai maravilhoso, continua assim na vida dele, sempre presente.
Seu filho é lindão e deve ser o orgulho do pai não é verdade?!

Feliz dia dos pais. (atrasado)
saudades de vim aqui.

Beijos.

Roberta Mendes disse...

A memória é mesmo uma forma de nos sobrevivermos. Não nos que amamamos. Mas nos que nos amaram pelo quanto fomos.

pipanoar disse...

Não existem ídolos sem figuras. Meu pai era o meu. Ignorei todo o passado para recebê-lo no presente.
Tenho um irmão doente. Certa noite, acordei com as vozes levantadas dos dois. Trocavam acusações que espantavam a gritos quem quer que ousasse interpor sua trajetória. Drogas...Ele se referiu ao meu irmão como se fosse uma doença. Mas eu sempre soube que ele era um milagre divino. Lembro-me do que ele disse a meu pai antes de passar a próxima pedrinha.


Sua falha como pai, foi a minha como filho.


Pena que o efeito passe tão rápido, pai.


Eu ia dizer outra coisa.
Mas perdi a fala.

sblogonoff café disse...

E nessa pressa, nesses olhos voltados pro meu mundo, eu nem tinha vindo aqui comentar que concordo com a Vã quando ela diz que o Gabriel tem sorte de ter você como pai.
e acho, olhando pro meu (sexagenário já!) que o possível dos pais está sempre rompendo limites.
Ao infinito.
Ao impossível.
Às distâncias.

Denise disse...

E ainda tu acha que é apenas possivel...
parece-me q tu faz quase o impossivel,acredite,tem pais q não fazem nada.
..................
comentando o comentário:
Alvaro

Quando ja vou ficando desanimada,pensando q o ser humano é muito estranho e requer acumular conteúdo,me deparo com gente feito vc,tão repleto dele, e a vida fica melhor ,o amargor q quase se instalava ,vai desaparecendo
ao constatar que ainda é possivel gostar de GENTE,dessas tipo você.

Adorei ter vindo conhecer seu blog e saber o q pensa e o q sente,alem das canções...LINDAS.

grata pela visita e pelo carinho