sábado, 28 de janeiro de 2012

O Brado Retumbante

Sobre a minissérie global

Como obra de ficção, interessante pelas atuações e pela tentativa de emulação da vida política nacional. As coberturas jornalísticas, desta feita, pareciam mesmo extraídas de veículos reais. O mais frequente, em obras anteriores, era a caricatura pobre, nesse aspecto particular.
Fico tentando imaginar, porém, o que levou a Globo a veicular uma série mostrando um heroi político solitário nestes tempos. Verdade que a corrupção está longe de ser derrotada. Mas é ainda mais verdadeiro que Lula e Dilma representam em suas pessoas algo até melhor do que Paulo Ventura. Se estes não conseguiram derrotar a corrupção é porque se trata de metástase. Tentar eliminá-la pode significar a morte do próprio doente. É o que me parece, por mais que isso me doa.
O alardeado apartidarismo do presidente fictício é outra falha ideológica que considero grave. Na dramaturgia tudo vale, mas como disseminação de opinião, preferiria uma defesa de instrumentos institucionais, não de quixotes ocasionais. Este país ou qualquer outro, só se firmará com partidos, sindicatos, imprensa, ongs e todos os atores políticos sendo institucionalmente fortes. Algo que vai demorar, não tenho dúvida, mas são as sementes que quero ver plantadas. E bradadas. Retumbantemente.

3 comentários :

z i r i s disse...

Um dia eu matutei sobre política. Pode não parecer mas faço isso com uma certa frequência. E por vezes, não tenho controle dos horrores que sinto pelos horrores que vejo. Ler tudo isto tão ordenadamente aqui, me ajudou. Porque estamos quase todos nos colocando no centro da foto, sabe? Esse ego que nos impede de melhorar nosso metro quadrado. Estou feliz por ler este texto seu. Algo realmente generoso e grandioso para quem puder domar a impaciência com o todo e curar-se da vesguidão de alma que nos faz parar sem vontade nem de entender, o redor.


Valeu cumpadi.

Meu beijo

Alvaro Vianna disse...

Ora, Ziris, você é uma política em si mesma. E das que fazem muito bem ao mundo. Natural que se horrorize, sendo tão sensível. Nós outros, de estômago talvez um tanto mais ácido, vamos tentando digerir tais coisas. No fim, todos os de bem se encontram em alguma esquina para tomarem um café. Pela Paz.

Beijo, cumadi.

Wanderly Frota disse...

Sempre observei a política de longe, com aquele olhar de canto, talvez pra não me envolver tanto ou porque eu não entendo muito mesmo. Mas o seu texto foi fantástico! Eu espero o brado, sem dúvidas!

Beijo doce!